Teve início no último sábado mais um módulo do projeto Escrevivendo na Casa das Rosas, o primeiro de 2010. E como esse é o mês do aniversário de nossa querida São Paulo, optamos por trabalhar a descrição dessa cidade cheia de contrastes a partir de crônicas e de letras de música que cantam seus contornos, seus espaços, seus habitantes e seus tempos.
A oficina começou com uma breve apresentação dos participantes, que falaram a respeito de suas expectativas para com o tema e o trabalho e contaram onde vivem e o que fazem aqui na capital.
Em seguida, os mediadores comentaram alguns dados sobre a história do gênero, passando pelo surgimento da crônica histórica em Portugal, pelas mãos daquele a quem chamamos o “primeiro historiador” português, Fernão Lopes, que teve como incumbência “poer em caronyca as estórias dos Reys, que antigamente em Portugal foram”.
Falou-se sobre o surgimento da imprensa e de como as crônicas publicadas nos jornais franceses do século XIX caíram no gosto dos leitores da época; comentou-se também a respeito da especificidade do público brasileiro do século XIX e do sucesso que esse gênero, mais leve e ligeiro, obteve por aqui.
Na sequência foi proposta a leitura da crônica Perdizes, de Antônio Prata. A discussão sobre o tema, a cidade que não para de mudar, foi profícua e por meio dela foi possível perceber a construção de metáforas originais utilizadas pelo autor, levando o leitor a se identificar com seu ponto de vista.
Ao final, cada participante produziu uma lista de lugares marcantes na cidade de São Paulo, a partir da qual, no próximo encontro, produzirá uma crônica própria. Até lá!
Gabriela Rodella
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
segunda-feira, 11 de janeiro de 2010
OFICINA DE FÉRIAS 2010!!
Começaremos o quinto ano do Projeto Escrevivendo na Casa das Rosas com um módulo sobre crônicas - finalmente! Ao mesmo tempo, a oficina fará uma homenagem a nossa querida cidade: São Paulo.
Os mediadores serão os professores Gabriela Rodella e Nedilson Cesar, que estão preparando um programa delicioso pra as férias ( 16 de janeiro a 27 de fevereiro). Abaixo, Sampa, de Caetano Veloso, pra gente ir entrando no clima.
Beijo,
Karen Kipnis
Os mediadores serão os professores Gabriela Rodella e Nedilson Cesar, que estão preparando um programa delicioso pra as férias ( 16 de janeiro a 27 de fevereiro). Abaixo, Sampa, de Caetano Veloso, pra gente ir entrando no clima.
Beijo,
Karen Kipnis
sábado, 7 de novembro de 2009
Postagem do Intervalo
Veja publicidade da Chanel com o poema Day Dream, de Frederico Barbosa. O poema foi utilizado sem conhecimento do autor.
A campanha publicitária mundial do perfume Coco Mademoiselle ,da Coco Chanel, traz trechos de um poema recitado inteiramente em português. Os curiosos irão descobrir que, embora não apresente autoria na campanha, trata-se de fragmento grande do poema "Day Dream" do poeta Frederico Barbosa, diretor da Casa das Rosas e diretor executivo da Poiesis, organização social que administra o Museu da Língua Portuguesa e a Biblioteca de São Paulo.
O texto foi publicado originalmente no livro "Nada Feito Nada", de 1993, que foi agraciado com o Prêmio Jabuti.O autor desconhecia completamente o uso do poema, que é dedicado ao seu grande amigo, o músico e artista plástico Carlos Fernando. Segue o poema:
DAY DREAM
Esse castelo
o que há de antigo
nosso no ar
vai se construindo
em meio improvável
desatento.
Tantas referências
nossas lentes
fora desse mundo
do vago ralo
da rapidez indiferente.
Nesse nosso castelo
vão circulando, vivos,
tantos Dukes, Claudes, Luchinos
e vários James amigos
nossos companheiros de sempre.
Sonhos aprisionados
nessa torre
ilha
correm soltos
mar de marfim
por dentro.
Dedicar cada dia
entre tantos
inúteis momentos
a refinar
cada gesto palavra cor
ou sentimento.
Nadar no vazio alheio
movidos
por nosso sonho
claro e tácido
acordar comovido
da mente em movimento.
Nesse castelo, nossa praia
essa coragem nossa
sua presença acende.
Um mundo raro
um sonho em claro
doce recheio
sem resposta.
Sonhamos
vida
sempre acordados
um sonho contrário
que se arrasta em brilho
contra a corrente.
Frederico Barbosa in Nada Feito Nada, 1993
quinta-feira, 15 de outubro de 2009
10/10 -Sexto e último encontro de 2009
Por Nedilson
Encerrou-se no último sábado, 10/10, o derradeiro módulo do projeto Escrevivendo na Casa das Rosas neste ano de 2009. Embora não tenha sido possível contar com a presença fundamental da nossa mediadora Karen Kipnis, o encontro foi, novamente, uma boa oportunidade para se conversar sobre a escrita, de maneira mais ampla, e sobre o fazer artístico e literário, mais especificamente. A partir da leitura de alguns versos de João Cabral de Mello Neto (“Tecendo a manhã” e “A mulher e a casa”), foram retomadas questões sobre o valor e importância da literatura num mundo marcado pelo signo da globalização, a estereotipização das linguagens artísticas a fim de contemplar interesses mercadológicos e as resistências elaboradas e postas em prática pelos artistas.
Outro assunto abordado no encontro nasceu do questionamento de um dos participantes sobre o significado mais amplo que estaria por trás da história de Bentinho e Capitu, no “Dom Casmurro”. O momento foi oportuno para inserir e discutir algumas questões sobre a constituição de alguns personagens e a função de cada um deles no panorama social da época, questões que relacionadas à trama podem abrir outras perspectivas de entendimento da obra.
No final, houve uma agradável confraternização, que se aproveitou do espírito de Dia das Crianças, com refrigerante, bolos e doces. Espero que nos próximos módulos do projeto possamos contar com a gratificante participação de todos esses que estiveram presentes nos encontros desses últimos meses, além de contar com a presença de novos participantes.
Encerrou-se no último sábado, 10/10, o derradeiro módulo do projeto Escrevivendo na Casa das Rosas neste ano de 2009. Embora não tenha sido possível contar com a presença fundamental da nossa mediadora Karen Kipnis, o encontro foi, novamente, uma boa oportunidade para se conversar sobre a escrita, de maneira mais ampla, e sobre o fazer artístico e literário, mais especificamente. A partir da leitura de alguns versos de João Cabral de Mello Neto (“Tecendo a manhã” e “A mulher e a casa”), foram retomadas questões sobre o valor e importância da literatura num mundo marcado pelo signo da globalização, a estereotipização das linguagens artísticas a fim de contemplar interesses mercadológicos e as resistências elaboradas e postas em prática pelos artistas.
Outro assunto abordado no encontro nasceu do questionamento de um dos participantes sobre o significado mais amplo que estaria por trás da história de Bentinho e Capitu, no “Dom Casmurro”. O momento foi oportuno para inserir e discutir algumas questões sobre a constituição de alguns personagens e a função de cada um deles no panorama social da época, questões que relacionadas à trama podem abrir outras perspectivas de entendimento da obra.
No final, houve uma agradável confraternização, que se aproveitou do espírito de Dia das Crianças, com refrigerante, bolos e doces. Espero que nos próximos módulos do projeto possamos contar com a gratificante participação de todos esses que estiveram presentes nos encontros desses últimos meses, além de contar com a presença de novos participantes.
segunda-feira, 12 de outubro de 2009
OBRIGADA NEDILSON!!!
... por ter acolhido o Projeto Escrevivendo e acreditado nele. Tenha certeza de que será também sempre acolhido neste pedacinho da Paulista e onde quer que as oficinas aconteçam!
Karen
Karen
Copiei e colei do 'blogbruna'

Segunda-feira, 28 de Setembro de 2009
CARTA A UMA AMIGA
Querida Karen,
hoje me dei conta de que faz pouco mais de um ano que recebi de presente, de você, o meu blog! E que desde então, já estão lá quase sessenta títulos. Quanto devo a você?
Muuuuuuito, quase tudo. E porquê não tudo?
Por que me aventurei em outras oficinas, obedeci outros raciocínios, quis apanhar com outras críticas, e outros críticos. É como se, inconscientemente, eu estivesse grudando em mi mesma, com cera virgem e à moda de Ícaro, asas de pássaros inauditos, diferentes, vindos de outros continentes.
Se soubesse cantar, eu diria que seria uma vocalista que larga a banda, de quem muito aprendeu , para lançar-se em carreira solo. Mas não é bem assim: ainda tenho um longo caminho a percorrer, antes de me sentir segura para conversar sozinha e sozinha aprovar minha assinatura.
Mas sei que você acompanha meus textos e estou certa de que, mesmo em momentos de crítica atroz, você saberá ouvir minha voz, como agora.
Portanto, obrigada.
Postado por Blog da Bruna às 13:07 2 comentários
quinta-feira, 8 de outubro de 2009
Comentário sobre a aula de 03/10- Sexto encontro
Por Nedilson
O encontro do projeto Escrevivendo no último sábado, 05/10, foi dedicado à leitura de dois poemas de Carlos Drummond de Andrade e de um conto de Guimarães Rosa. Embora a quantidade de textos tenha sido reduzida, ela foi suficiente para suscitar intervenções inteligentes e variadas dos participantes do encontro.
De fato, foi empolgante perceber o quanto um poema como o “No meio do caminho”, composto há mais de 90 anos, ainda causa espanto e instiga a sensibilidade do leitor mais atento, mesmo daquele que já possui conhecimento sobre o texto.
Com a leitura do poema “Áporo”, partiu-se da estaca zero no nível de entendimento dos versos para a consciência plena das possibilidades de significação deles num crescendo gradativo que premia o leitor com a imagem de uma metamorfose inusitada e maravilhosa.
No contato com a narrativa “Fita-verde no cabelo” adentramos no mundo das personagens infantis roseanas a partir da re-elaboração da fábula de Chapeuzinho Vermelho, numa sempre fértil experiência lingüística e criativa que nos proporciona o genial escritor de “Sagarana”.
O bate-papo sobre os três textos foi uma boa oportunidade para relacionar, de maneira prática, alguns dos temas que têm estado presente nas nossas discussões de sábado, como gênero e forma, além de ter ensejado algumas observações peculiares aos textos lidos, como as características de ritmo, sonoridade, contexto histórico e estético. Ao final, a sensação parece ter sido de alegria e gratidão por podermos contar, em nossa língua, com expressões poéticas de tão alto nível.
Se o verbo LER, etimologicamente, está ligado ao ato de colher, pode-se afirmar sem dúvidas que o nosso encontro de sábado primou pela fartura da colheita.
O encontro do projeto Escrevivendo no último sábado, 05/10, foi dedicado à leitura de dois poemas de Carlos Drummond de Andrade e de um conto de Guimarães Rosa. Embora a quantidade de textos tenha sido reduzida, ela foi suficiente para suscitar intervenções inteligentes e variadas dos participantes do encontro.
De fato, foi empolgante perceber o quanto um poema como o “No meio do caminho”, composto há mais de 90 anos, ainda causa espanto e instiga a sensibilidade do leitor mais atento, mesmo daquele que já possui conhecimento sobre o texto.
Com a leitura do poema “Áporo”, partiu-se da estaca zero no nível de entendimento dos versos para a consciência plena das possibilidades de significação deles num crescendo gradativo que premia o leitor com a imagem de uma metamorfose inusitada e maravilhosa.
No contato com a narrativa “Fita-verde no cabelo” adentramos no mundo das personagens infantis roseanas a partir da re-elaboração da fábula de Chapeuzinho Vermelho, numa sempre fértil experiência lingüística e criativa que nos proporciona o genial escritor de “Sagarana”.
O bate-papo sobre os três textos foi uma boa oportunidade para relacionar, de maneira prática, alguns dos temas que têm estado presente nas nossas discussões de sábado, como gênero e forma, além de ter ensejado algumas observações peculiares aos textos lidos, como as características de ritmo, sonoridade, contexto histórico e estético. Ao final, a sensação parece ter sido de alegria e gratidão por podermos contar, em nossa língua, com expressões poéticas de tão alto nível.
Se o verbo LER, etimologicamente, está ligado ao ato de colher, pode-se afirmar sem dúvidas que o nosso encontro de sábado primou pela fartura da colheita.
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