Karen, vi o seu comentário numa foto, estava arrumando umas coisas em um antigo computador, pondo a vida em ordem, jogando papéis fora, enfim, encontrei o livro do Escrevivendo Seres, e as fotos, entrei no ning (projetoescrevivendo.ning.com) e postei.
Bons tempos!
Quando eu falo que todos vocês influenciaram a minha vida, é de verdade! Hoje, aliás, esse ano, estou na PUC, cursando História, consegui bolsa integral pelo Prouni. A vivência com a escrita, com o pensar antes mesmo de elaborar uma linha, tudo o que aprendi, está presente na minha vida até hoje, esteve presente durante a redação da prova, onde consegui a maior nota dentre as quatro.
Enfim, sou agradecida eternamente por ter-me constituído como Escrevivente, e poder daqui pra frente Escreviver-historiar!
De Sábado, não posso estar na Casa das Rosas, por causa da faculdade, tenho aulas de sábado de manhã... mas posso faltar de vez em quando pra dar uma passadinha na Biblioteca São Paulo! O Charles voltou, estava vendo na programação de Maio...
Apareço, estou com saudades dessa vivência!
Um enorme beijo e um grande abraço, querida Mestra!
Jéssica Carvalho
terça-feira, 13 de julho de 2010
segunda-feira, 19 de abril de 2010
Dois textos motivadores de discussões para o módulo
Criar o Ministério da Corrupção
Acho que o problema é que a corrupção é mal explorada no Brasil. São recursos imensos que passam de mão em mão sem que o país lucre com isto. Muitas vezes os recursos vão para o exterior, quando podiam ficar aqui, movimentando nossa economia. Pode-se fazer um paralelo entre o mau aproveitamento do nosso talento para a corrupção e a exploração do ouro do nosso solo. Que, como a corrupção, também é feita a céu aberto, com métodos poucos sofisticados e com grandes perdas para os cofres da nação. A corrupção é outra riqueza natural do Brasil que está se perdendo, não por falta de verbas – no caso, há um excesso de verba – mas por falta de racionalização. Temos alguns dos maiores corruptos do mundo agindo por conta própria, na inspiração do momento, sem método e sem orientação. O próprio governo dá mau exemplo. Há corruptos em diversos ministérios, cada um agindo em faixa própria. Um hipotético corruptor que precise de favores ilícitos de mais de um departamento governamental perde tempo e dinheiro indo de um lado para o outro – sem contar, claro, o tempo que gasta na sala de espera, entre outros corruptores, esperando a sua vez, muitas vezes para descobrir que procurou o corrupto errado. Tudo isto seria evitado com a racionalização da corrupção no país. As pessoas se espantam com as cifras de um caso Coroa-Brastel, por exemplo. Mas é inimaginável o que poderia ter sido atingido se houvesse uma legislação específica para o setor. Os corruptos se ressentem da falta de normas. Muitos não realizam todo o seu potencial porque não sabem até onde podem ir. Como raramente são denunciados e nunca são punidos, os corruptos brasileiros não têm parâmetros para julgar o seu trabalho. Não há incentivo. Não há reconhecimento para o efeito multiplicador da corrupção na economia. Os corruptos formam um dos segmentos mais empreendedores e imaginativos da sociedade brasileira. O descaso das autoridades com eles equivale a um desperdício que a nação não pode tolerar, ainda mais numa época de crise.
A solução talvez fosse a criação de um Ministério da Corrupção que centralizasse esta importante atividade e a regulamentasse. Existem vários corruptos eminentes que se prontificariam a assumir o Ministério, até sem receber nada, só para ter o ponto. O Ministério estabeleceria metas e cotas para a corrupção e, dependendo da disponibilidade, subvencionaria o pequeno e o médio corrupto, em troca de comissão. A verba para o Ministério da Corrupção não seria alocada, como para os outros Ministérios. Seria desviada. O Ministério participaria das reuniões do gabinete, mas embaixo da mesa.
Etc., etc.
Luis Fernando Verissimo
12/12/1983 Comédias da vida pública.
TRECHO SELECIONADO do VIEIRA
Como deve ser estruturado um sermão
(...) O sermão há de ser duma só cor, há de ter um só objeto, um só assunto, uma só matéria. Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar, há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários, e depois disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar. Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão de nascer todos da mesma matéria, e continuar e acabar nela.
(Sermão da Sexagésima. In: VIEIRA, Antônio. Os sermões. SP, Difel. 1968. VI. p. 99.)
Acho que o problema é que a corrupção é mal explorada no Brasil. São recursos imensos que passam de mão em mão sem que o país lucre com isto. Muitas vezes os recursos vão para o exterior, quando podiam ficar aqui, movimentando nossa economia. Pode-se fazer um paralelo entre o mau aproveitamento do nosso talento para a corrupção e a exploração do ouro do nosso solo. Que, como a corrupção, também é feita a céu aberto, com métodos poucos sofisticados e com grandes perdas para os cofres da nação. A corrupção é outra riqueza natural do Brasil que está se perdendo, não por falta de verbas – no caso, há um excesso de verba – mas por falta de racionalização. Temos alguns dos maiores corruptos do mundo agindo por conta própria, na inspiração do momento, sem método e sem orientação. O próprio governo dá mau exemplo. Há corruptos em diversos ministérios, cada um agindo em faixa própria. Um hipotético corruptor que precise de favores ilícitos de mais de um departamento governamental perde tempo e dinheiro indo de um lado para o outro – sem contar, claro, o tempo que gasta na sala de espera, entre outros corruptores, esperando a sua vez, muitas vezes para descobrir que procurou o corrupto errado. Tudo isto seria evitado com a racionalização da corrupção no país. As pessoas se espantam com as cifras de um caso Coroa-Brastel, por exemplo. Mas é inimaginável o que poderia ter sido atingido se houvesse uma legislação específica para o setor. Os corruptos se ressentem da falta de normas. Muitos não realizam todo o seu potencial porque não sabem até onde podem ir. Como raramente são denunciados e nunca são punidos, os corruptos brasileiros não têm parâmetros para julgar o seu trabalho. Não há incentivo. Não há reconhecimento para o efeito multiplicador da corrupção na economia. Os corruptos formam um dos segmentos mais empreendedores e imaginativos da sociedade brasileira. O descaso das autoridades com eles equivale a um desperdício que a nação não pode tolerar, ainda mais numa época de crise.
A solução talvez fosse a criação de um Ministério da Corrupção que centralizasse esta importante atividade e a regulamentasse. Existem vários corruptos eminentes que se prontificariam a assumir o Ministério, até sem receber nada, só para ter o ponto. O Ministério estabeleceria metas e cotas para a corrupção e, dependendo da disponibilidade, subvencionaria o pequeno e o médio corrupto, em troca de comissão. A verba para o Ministério da Corrupção não seria alocada, como para os outros Ministérios. Seria desviada. O Ministério participaria das reuniões do gabinete, mas embaixo da mesa.
Etc., etc.
Luis Fernando Verissimo
12/12/1983 Comédias da vida pública.
TRECHO SELECIONADO do VIEIRA
Como deve ser estruturado um sermão
(...) O sermão há de ser duma só cor, há de ter um só objeto, um só assunto, uma só matéria. Há de tomar o pregador uma só matéria, há de defini-la para que se conheça, há de dividi-la para que se distinga, há de prová-la com a Escritura, há de declará-la com a razão, há de confirmá-la com o exemplo, há de amplificá-la com as causas, com os efeitos, com as circunstâncias, com as conveniências que se hão de seguir, com os inconvenientes que se devem evitar, há de responder às dúvidas, há de satisfazer às dificuldades, há de impugnar e refutar com toda a força da eloqüência os argumentos contrários, e depois disto há de colher, há de apertar, há de concluir, há de persuadir, há de acabar. Não nego nem quero dizer que o sermão não haja de ter variedade de discursos, mas esses hão de nascer todos da mesma matéria, e continuar e acabar nela.
(Sermão da Sexagésima. In: VIEIRA, Antônio. Os sermões. SP, Difel. 1968. VI. p. 99.)
10 e 17/04/2010 - Quarto e quinto encontros da Oficina de Textos Argumentativos
Começamos o quarto encontro da Oficina de Textos Argumentativos analisando as estratégias utilizadas em um postal de divulgação, cujo objetivo era anunciar o lançamento do filme “007 - Quantum of Solace” em DVD. Dentre os tópicos elencados pelos distribuidores do filme estavam os ferimentos que o ator principal havia colecionado em função de sua decisão de não usar dublês durante as filmagens. Alguns participantes da oficina notaram que a utilização de argumentos como esse visam a persuadir àqueles que se interessam por filmes de ação a assistirem ao novo filme de James Bond. Mas e os espectadores que gostavam do charme da personagem?
Depois dessa rápida atividade introdutória, retomamos os trabalhos de leitura e comentários sobre as cartas de leitores escritas pelos escreviventes, relativas aos artigos de Scliar e Alves sobre as Olimpíadas.
Além da leitura das cartas, foi proposta também a leitura de trechos do Sermão do Bom Ladrão, de Padre Antônio Vieira. Seus fortes argumentos de autoridade e a trama bem tecida de seu sermão, atualíssimo tanto no tema como na linguagem, levaram a escrevivente Sandra Bueno a comprar um livro com alguns sermões de Vieira, que ela está degustando com sua irmã, numa leitura compartilhada. É isso aí, Sandra, desejamos uma boa leitura para vocês duas!
Já no quinto encontro, retomamos algumas estratégias argumentativas presentes em todos os textos lidos até o momento, organizando os conteúdos de modo mais didático. A partir dessa exposição, voltamos ao texto do Vieira e analisamos a sua estrutura, alem de buscar refletir sobre as escolhas realizadas pelo autor na construção de seu texto.
Para continuar dentro do tema da corrupção, lemos ainda uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, Criar o ministério da corrupção, que aborda o assunto usando e abusando do recurso da ironia. E a partir daí, o exercício proposto foi o da produção de uma crônica sobre o tema.
Semana que vem, vamos ler em classe essas últimas produções dos escreviventes! E esperamos que até quarta que vem, dia 21, todas as cartas sejam devidamente revisadas por seus autores e enviadas a nossos e-mails, OK?
Até lá!
Gabriela Rodella
Depois dessa rápida atividade introdutória, retomamos os trabalhos de leitura e comentários sobre as cartas de leitores escritas pelos escreviventes, relativas aos artigos de Scliar e Alves sobre as Olimpíadas.
Além da leitura das cartas, foi proposta também a leitura de trechos do Sermão do Bom Ladrão, de Padre Antônio Vieira. Seus fortes argumentos de autoridade e a trama bem tecida de seu sermão, atualíssimo tanto no tema como na linguagem, levaram a escrevivente Sandra Bueno a comprar um livro com alguns sermões de Vieira, que ela está degustando com sua irmã, numa leitura compartilhada. É isso aí, Sandra, desejamos uma boa leitura para vocês duas!
Já no quinto encontro, retomamos algumas estratégias argumentativas presentes em todos os textos lidos até o momento, organizando os conteúdos de modo mais didático. A partir dessa exposição, voltamos ao texto do Vieira e analisamos a sua estrutura, alem de buscar refletir sobre as escolhas realizadas pelo autor na construção de seu texto.
Para continuar dentro do tema da corrupção, lemos ainda uma crônica de Luis Fernando Veríssimo, Criar o ministério da corrupção, que aborda o assunto usando e abusando do recurso da ironia. E a partir daí, o exercício proposto foi o da produção de uma crônica sobre o tema.
Semana que vem, vamos ler em classe essas últimas produções dos escreviventes! E esperamos que até quarta que vem, dia 21, todas as cartas sejam devidamente revisadas por seus autores e enviadas a nossos e-mails, OK?
Até lá!
Gabriela Rodella
terça-feira, 30 de março de 2010
27/03/2010- Terceiro encontro da oficina de textos argumentativos
O encontro do Escrevivendo no sábado, 27/03, foi dedicado à leitura de textos solicitado aos participantes no sábado anterior, uma carta supostamente destinada à redação de um jornal a fim de comentar artigos de opinião dos colaboradores a respeito das Olimpíadas.
Como sempre tem ocorrido, os textos apresentados possuem um nível muito bom, poucas vezes necessitando intervenções profundas ou alongadas por parte dos mediadores.
Apesar disso, alguns textos estavam incompletos e sem a devida conclusão, o que dificultou bastante o entendimento do sentido que o autor quis dar às suas palavras, já que, parafraseando o poeta barroco, o todo sem a parte não é o todo. À parte isso, a intenção das falas e comentários dos participantes sempre teve como norte a indagação sobre a estrutura argumentativa e os próprios argumentos utilizados pelos redatores para se posicionar em relação aos textos de Scliar e Rubem Alves, independente do estilo sarcástico, lírico, racionalista ou emocional dos textos lidos.
Novamente a duração de nossa reunião não foi suficiente para que todos os integrantes fizessem sua leitura, o que acaba sendo uma boa indicação da quantidade de intervenções e da participação ativa e intensa dos escreviventes. Obviamente, as leituras que faltaram ocorrerão no próximo encontro, ao mesmo tempo em que os mediadores receberão por escrito a segunda versão dos textos já lidos e debatidos.
No próximo encontro, abordaremos um pouco da admirável obra do padre Antonio Vieira.
Esperamos todos lá!
Nedilson César
Como sempre tem ocorrido, os textos apresentados possuem um nível muito bom, poucas vezes necessitando intervenções profundas ou alongadas por parte dos mediadores.
Apesar disso, alguns textos estavam incompletos e sem a devida conclusão, o que dificultou bastante o entendimento do sentido que o autor quis dar às suas palavras, já que, parafraseando o poeta barroco, o todo sem a parte não é o todo. À parte isso, a intenção das falas e comentários dos participantes sempre teve como norte a indagação sobre a estrutura argumentativa e os próprios argumentos utilizados pelos redatores para se posicionar em relação aos textos de Scliar e Rubem Alves, independente do estilo sarcástico, lírico, racionalista ou emocional dos textos lidos.
Novamente a duração de nossa reunião não foi suficiente para que todos os integrantes fizessem sua leitura, o que acaba sendo uma boa indicação da quantidade de intervenções e da participação ativa e intensa dos escreviventes. Obviamente, as leituras que faltaram ocorrerão no próximo encontro, ao mesmo tempo em que os mediadores receberão por escrito a segunda versão dos textos já lidos e debatidos.
No próximo encontro, abordaremos um pouco da admirável obra do padre Antonio Vieira.
Esperamos todos lá!
Nedilson César
terça-feira, 23 de março de 2010
20/03/2010 - Segundo encontro da Oficina de Textos Argumentativos
Desse segundo encontro de Argumentativos alguns colegas participaram pela primeira vez. Em função disso, fizeram uma breve apresentação de suas expectativas com relação ao trabalho com esse tipo de texto e nos contaram o que fazem da vida e por que estão conosco na oficina.
Depois de uma breve recapitulação dos argumentos apresentados por Moacyr Scliar em seu artigo “A Olimpíada é a vida – melhorada”, partimos para a leitura do segundo texto sobre o mesmo tema, escrito por Rubem Alves, denominado “Não vou ver as competições...”.
A partir dessa leitura, deu-se uma acalorada discussão sobre a pertinência ou não dos argumentos apresentados pelo autor. Alguns escreviventes ressaltaram que consideraram insuficientes os argumentos que desqualificam o esporte de alta performance e que, a partir daí, pregam a não necessidade do acompanhamento dos jogos olímpicos.
Foi discutida também a estrutura do artigo lido, organizado em quatro parágrafos bem marcados, defendendo um ponto de vista sem apelar ao emocional do leitor, contando, além disso, com certa dose de ironia. Também foi levantada a pertinência do uso do argumento de autoridade ao início do artigo, quando o autor se refere a um professor de Educação Física e à tese por ele defendida, que passará a ser defendida também pelo próprio Rubem Alves. Dessa maneira, algumas questões relacionadas à argumentação em textos opinativos foram analisadas.
Ao final do encontro, foi proposto aos alunos que escrevessem uma carta do leitor dirigida a um dos autores de um dos artigos lidos, ou aos dois, concordando ou discordando de seus argumentos. Essas cartas serão lidas em voz alta no próximo sábado.
Até lá!
Gabriela Rodella
Depois de uma breve recapitulação dos argumentos apresentados por Moacyr Scliar em seu artigo “A Olimpíada é a vida – melhorada”, partimos para a leitura do segundo texto sobre o mesmo tema, escrito por Rubem Alves, denominado “Não vou ver as competições...”.
A partir dessa leitura, deu-se uma acalorada discussão sobre a pertinência ou não dos argumentos apresentados pelo autor. Alguns escreviventes ressaltaram que consideraram insuficientes os argumentos que desqualificam o esporte de alta performance e que, a partir daí, pregam a não necessidade do acompanhamento dos jogos olímpicos.
Foi discutida também a estrutura do artigo lido, organizado em quatro parágrafos bem marcados, defendendo um ponto de vista sem apelar ao emocional do leitor, contando, além disso, com certa dose de ironia. Também foi levantada a pertinência do uso do argumento de autoridade ao início do artigo, quando o autor se refere a um professor de Educação Física e à tese por ele defendida, que passará a ser defendida também pelo próprio Rubem Alves. Dessa maneira, algumas questões relacionadas à argumentação em textos opinativos foram analisadas.
Ao final do encontro, foi proposto aos alunos que escrevessem uma carta do leitor dirigida a um dos autores de um dos artigos lidos, ou aos dois, concordando ou discordando de seus argumentos. Essas cartas serão lidas em voz alta no próximo sábado.
Até lá!
Gabriela Rodella
domingo, 14 de março de 2010
13/03/2010 - Primeiro encontro da Oficina de Textos Argumentativos
Teve início no último sábado mais um módulo do projeto Escrevivendo na Casa das Rosas, o segundo de 2010. Dessa vez, optamos por trabalhar com textos argumentativos, trazendo para os encontros a leitura e propostas de escrita de gêneros que tenham essa tipologia como predominante.
A oficina começou com uma breve apresentação dos participantes, que falaram a respeito de suas expectativas para com a oficina, o tema e o trabalho que será desenvolvido e contaram um pouco sobre suas áreas de atuação.
Em seguida, os mediadores comentaram sobre os fundamentos teóricos que embasam os trabalhos da oficina, projeto elaborado e desenvolvido pela coordenadora Karen Kipnis, durante sua formação em licenciatura na Faculdade de Educação da USP. Foram comentadas brevemente a metodologia da pesquisadora norte-americana Lucy Calkins, a teoria sobre os gêneros do discurso do teórico da linguagem, da literatura e da sociologia Mikhail Bakhtin e a transposição didática dessa teoria proposta pelos pesquisadores da Universidade de Genebra Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz.
E seguida houve uma discussão sobre o que os participantes consideravam gêneros argumentativos, suas características, sua finalidade, seus enunciadores, os lugares de suas publicações. Também foi discutida qual seria a diferença entre persuasão e convencimento, encarados pelos escreviventes como objetivos de um texto argumentativo.
Para terminar o encontro, foi lido e discutido um artigo de opinião de Moacyr Scliar, intitulado “A Olimpíada é a vida – melhorada”, publicado na seção Tendências e Debates do jornal Folha de S. Paulo, em agosto de 2008. A partir dessa leitura, foram analisados os argumentos apresentados pelo autor para justificar o acompanhamento dos jogos olímpicos daquele ano.
Começaremos o próximo encontro discutindo a leitura de um outro artigo, de Rubem Alves, intitulado: “Não vou ver as competições...” Quais serão os argumentos apresentados por esse autor para defender que os jogos não mereceriam nosso acompanhamento? É o que veremos. Até lá!
Gabriela Rodella
A oficina começou com uma breve apresentação dos participantes, que falaram a respeito de suas expectativas para com a oficina, o tema e o trabalho que será desenvolvido e contaram um pouco sobre suas áreas de atuação.
Em seguida, os mediadores comentaram sobre os fundamentos teóricos que embasam os trabalhos da oficina, projeto elaborado e desenvolvido pela coordenadora Karen Kipnis, durante sua formação em licenciatura na Faculdade de Educação da USP. Foram comentadas brevemente a metodologia da pesquisadora norte-americana Lucy Calkins, a teoria sobre os gêneros do discurso do teórico da linguagem, da literatura e da sociologia Mikhail Bakhtin e a transposição didática dessa teoria proposta pelos pesquisadores da Universidade de Genebra Bernard Schneuwly e Joaquim Dolz.
E seguida houve uma discussão sobre o que os participantes consideravam gêneros argumentativos, suas características, sua finalidade, seus enunciadores, os lugares de suas publicações. Também foi discutida qual seria a diferença entre persuasão e convencimento, encarados pelos escreviventes como objetivos de um texto argumentativo.
Para terminar o encontro, foi lido e discutido um artigo de opinião de Moacyr Scliar, intitulado “A Olimpíada é a vida – melhorada”, publicado na seção Tendências e Debates do jornal Folha de S. Paulo, em agosto de 2008. A partir dessa leitura, foram analisados os argumentos apresentados pelo autor para justificar o acompanhamento dos jogos olímpicos daquele ano.
Começaremos o próximo encontro discutindo a leitura de um outro artigo, de Rubem Alves, intitulado: “Não vou ver as competições...” Quais serão os argumentos apresentados por esse autor para defender que os jogos não mereceriam nosso acompanhamento? É o que veremos. Até lá!
Gabriela Rodella
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exemplos de crônicas produzidas entre março/abril 2010
Flashback no metrô (2)
“Próxima estação: Anhangabaú”. O anúncio no metrô me transporta para uma tarde de 1960.
Depois do lanche no salão de chá, saímos do Mappin e olho com encantamento para o Teatro Municipal. É lá que vou aprender a ser bailarina, penso, e vou fazer parte do corpo de baile. Mas mamãe já me arrasta para o Viaduto do Chá e, como sempre, aponta para o Edifício Matarazzo, no outro extremo, dizendo: “Olhe lá, onde seu bisavô italiano trabalhava”. Sempre me conta que meu avô também trabalhou para os Matarazzo, fazendo entregas de macarrão. Durante a Segunda Guerra, quando a gasolina escasseou, ele carregava a mercadoria numa charrete.
Já sei que quando chegarmos ao final do viaduto, mamãe vai me mostrar mais uma vez a Casa Michelângelo, de artigos de desenho, onde papai começou a trabalhar, aos doze anos, fazendo serviços gerais. Sei de cor tudo o que vai acontecer. Vamos entrar na Igreja de Santo Antonio, na Patriarca, fazer uma breve oração e deixar uma esmola para os pobres. Depois, atravessar a praça e dar uma olhada na Sloper, loja elegante de “artigos para senhoras”. Como não está muito calor, desta vez não iremos disputar um copo gigante de caju gelado no balcão da Casa dos Sucos.
Iremos direto ao ponto inicial do Turiassu, que nos levará para casa trepidando nos paralelepípedos. Chegarei sonolenta e enjoada da viagem no ônibus cheio e mal ventilado. Mamãe, com o embrulho de doces comprados na Dulca da Vieira de Carvalho e eu, com a partitura de piano da Casa Manon enrolada num papel.
Compramos sempre muito pouco, ou mesmo nada, nessas idas à cidade. Aprendi com minha mãe: nosso passeio, mais que tudo, é um modo de nos sentirmos parte da metrópole, um jeito de tomarmos posse do nosso lugar.
Concha Celestino
Janeiro/2010
Projeto Escrevivendo - Crônicas
Ônibus 577T
Ele aponta lá na curva do Hospital das Clínicas, na sombra das árvores – vem do Jardim Miriam... deixa para trás a arte fixada em muros, toma a Domingos de Morais, passa pelo colégio dos maristas, atravessa o paraíso todo azul e branco, e vem pelo espigão de torres. Ao vê-lo, meu coração bate com força: lá vamos nós! Desce a Rebouças mais depressa, acelerado pelo corredor. São poucas as paradas: os engravatados e as moças de microfibra e bico fino-salto alto descem na Faria Lima, as sacolas vazias e os adolescentes saltam felizes no ponto do Eldorado, as mochilas e as tatuagens ficam no Butantã.
Até os anos 80, o ponto final do 577T era na base do Morro do Querosene, que antes marcava com sua luz o horizonte da cidade; ficava ali, na Avenida Caxingui, por cima do Córrego Pirajussara, que passa escondido, em meio a terrenos ainda desocupados. Com os anos, a terra da Paineira virou asfalto, fecharam os poços, cresceram prédios e a parada deslocou-se para mais adiante... a cidade se estica em direção ao oeste. Hoje a linha faz a volta na Praça Elis Regina, na Vila Gomes, ao lado do conjunto habitacional que marcou, um dia, a última presença do Estado na periferia depois da ponte do Rio Pinheiros.
No ônibus todo dia, ele faz parte da minha vida: Vila Gomes-Jardim Miriam, sempre azul e branco. Existem outras alternativas, mas eu os considero como concorrentes: o Rio Pequeno/ Parque Continental-Anhangabaú e o Jardim Maria Luiza-Largo da Pólvora, todos versões modernas do Bonde Camarão, de um abóbora festivo. Logo o metrô vai sair da Luz e chegar na Vila Sônia - tudo mais rápido, seguro e condicionado atrás das colunas vermelhas e da estrutura prateada da Estação Butantã.
Na vida sempre temos preferências... são as facetas do coração e da razão... mais de 25 anos, para lá e para cá. Outro dia, de repente, pensei: se o 577T faz parte da minha vida, poderia também me levar na morte, todo azul e branco? Na vida também temos fantasias: as coisas significativas, as representações, cerimônias arranjadas. Já me disseram que no meu caixão colocariam giz, clipes, papel e borracha, o Guia da Folha e a carteirinha do SESC... porque não o bilhete único e o ônibus para o cortejo? Depois lembrei: o Jardim Miriam-Vila Gomes não passa na Vila Alpina... pena!
Ainda pensei: um ônibus pode ser alugado... levaria o corpo e os poucos íntimos... o cachorro também... seria uma ocasião especial e perfeitamente justificável, ele iria limpo e brilhante... mas não, não seria realmente o 577T... pena!
Então, depois, talvez, para as cinzas? Esta é uma encomenda delicada, feita a um grande amigo-amor, e a lista é extensa: por favor, eu poderia ficar em alguma tinta de muro no Jardim Miriam; na Casa Modernista, embaixo da figueira, ao lado da piscina; perto de uma escultura no Lasar Segall; dividida em muitos punhados pela Paulista; no jardim da Faculdade de Medicina, de tantos encantos e desencantos; o coração na parada da Oscar Freire; também em montinhos pela USP; entre as cobras do Butantã; junto com a Elis e ... não esquecer, em todos os ônibus da linha Vila Gomes-Jardim Miriam. Aonde? ...perto do banco alto.
Ana Silvia Whitaker Dalmaso
Crônica sobre a Praça Oswaldo Cruz
Cadê o índio pescando debaixo do salgueiro-chorão? Cadê a Sears, cadê o cheiro de castanha de caju, o snack bar com salsichas virando em cima de uma grelha rolante, cadê as roupas arrumadas em araras na primeira loja de departamentos que conheci?
Eu deveria ter uns dez anos de idade. De vez em quando, subia a Rua Sampaio Viana até a Rua Cubatão, virava na Rafael de Barros passando pela sorveteria Alaska - dos sorvetes de creme nas noites de verão – e atravessava a Praça Oswaldo Cruz. Os motoristas sabiam dirigir, os pedestres sabiam andar pelas ruas e as pessoas eram felizes respeitando umas às outras. Minha mãe deixava, não tinha perigo. Os carros não iriam me esmagar, as pessoas aprendiam, na auto-escola, a tomar cuidado com as crianças, nenhum pivete iria me atacar com um canivete para roubar meus tênis. A gente não usava tênis.
A estátua do índio era o ponto de referência para qualquer encontro com as amigas. O banco de madeira e ferro, debaixo da sombra de uma árvore de verdade, era o meu lugar preferido. Hoje, tudo mudou de lugar: o índio foi parar do outro lado, entre uma guia e outra e sem nenhum destaque, custei para achá-lo. Tanto espremeram, retalharam, enfiaram grades e passarelas que eu preciso me preparar psicologicamente antes de atravessar a praça. Como se afunilar, encurralar e empurrar pessoas as fizesse mais disciplinadas. Tudo por uma cidade melhor? Não. Tudo para controlar a selvageria inerente ao ser humano que se manifesta, embora reprimida, na cidade super populada.
[Índio Pescador- estátua em bronze do escultor brasileiro Francisco Leopoldo e Silva*]
*Francisco Leopoldo e Silva (1879- 1948) Discípulo de Amadeo Zani, estudou em Roma com o grande escultor Arturo Dazzi. Ao contrário de Brecheret, (com quem estudou em Paris no ateliê de Arturo Dazzi), que adotara estilística moderna. Leopoldo e Silva, que inicialmente seguira o estilo e a técnica de Rodin - daí o vigor de suas esculturas, chegando ao Brasil quedou-se numa manifestação mais conservadora, embora com um acentuado lirismo. Assinava L. Silva.
Sandra Schamas
“Próxima estação: Anhangabaú”. O anúncio no metrô me transporta para uma tarde de 1960.
Depois do lanche no salão de chá, saímos do Mappin e olho com encantamento para o Teatro Municipal. É lá que vou aprender a ser bailarina, penso, e vou fazer parte do corpo de baile. Mas mamãe já me arrasta para o Viaduto do Chá e, como sempre, aponta para o Edifício Matarazzo, no outro extremo, dizendo: “Olhe lá, onde seu bisavô italiano trabalhava”. Sempre me conta que meu avô também trabalhou para os Matarazzo, fazendo entregas de macarrão. Durante a Segunda Guerra, quando a gasolina escasseou, ele carregava a mercadoria numa charrete.
Já sei que quando chegarmos ao final do viaduto, mamãe vai me mostrar mais uma vez a Casa Michelângelo, de artigos de desenho, onde papai começou a trabalhar, aos doze anos, fazendo serviços gerais. Sei de cor tudo o que vai acontecer. Vamos entrar na Igreja de Santo Antonio, na Patriarca, fazer uma breve oração e deixar uma esmola para os pobres. Depois, atravessar a praça e dar uma olhada na Sloper, loja elegante de “artigos para senhoras”. Como não está muito calor, desta vez não iremos disputar um copo gigante de caju gelado no balcão da Casa dos Sucos.
Iremos direto ao ponto inicial do Turiassu, que nos levará para casa trepidando nos paralelepípedos. Chegarei sonolenta e enjoada da viagem no ônibus cheio e mal ventilado. Mamãe, com o embrulho de doces comprados na Dulca da Vieira de Carvalho e eu, com a partitura de piano da Casa Manon enrolada num papel.
Compramos sempre muito pouco, ou mesmo nada, nessas idas à cidade. Aprendi com minha mãe: nosso passeio, mais que tudo, é um modo de nos sentirmos parte da metrópole, um jeito de tomarmos posse do nosso lugar.
Concha Celestino
Janeiro/2010
Projeto Escrevivendo - Crônicas
Ônibus 577T
Ele aponta lá na curva do Hospital das Clínicas, na sombra das árvores – vem do Jardim Miriam... deixa para trás a arte fixada em muros, toma a Domingos de Morais, passa pelo colégio dos maristas, atravessa o paraíso todo azul e branco, e vem pelo espigão de torres. Ao vê-lo, meu coração bate com força: lá vamos nós! Desce a Rebouças mais depressa, acelerado pelo corredor. São poucas as paradas: os engravatados e as moças de microfibra e bico fino-salto alto descem na Faria Lima, as sacolas vazias e os adolescentes saltam felizes no ponto do Eldorado, as mochilas e as tatuagens ficam no Butantã.
Até os anos 80, o ponto final do 577T era na base do Morro do Querosene, que antes marcava com sua luz o horizonte da cidade; ficava ali, na Avenida Caxingui, por cima do Córrego Pirajussara, que passa escondido, em meio a terrenos ainda desocupados. Com os anos, a terra da Paineira virou asfalto, fecharam os poços, cresceram prédios e a parada deslocou-se para mais adiante... a cidade se estica em direção ao oeste. Hoje a linha faz a volta na Praça Elis Regina, na Vila Gomes, ao lado do conjunto habitacional que marcou, um dia, a última presença do Estado na periferia depois da ponte do Rio Pinheiros.
No ônibus todo dia, ele faz parte da minha vida: Vila Gomes-Jardim Miriam, sempre azul e branco. Existem outras alternativas, mas eu os considero como concorrentes: o Rio Pequeno/ Parque Continental-Anhangabaú e o Jardim Maria Luiza-Largo da Pólvora, todos versões modernas do Bonde Camarão, de um abóbora festivo. Logo o metrô vai sair da Luz e chegar na Vila Sônia - tudo mais rápido, seguro e condicionado atrás das colunas vermelhas e da estrutura prateada da Estação Butantã.
Na vida sempre temos preferências... são as facetas do coração e da razão... mais de 25 anos, para lá e para cá. Outro dia, de repente, pensei: se o 577T faz parte da minha vida, poderia também me levar na morte, todo azul e branco? Na vida também temos fantasias: as coisas significativas, as representações, cerimônias arranjadas. Já me disseram que no meu caixão colocariam giz, clipes, papel e borracha, o Guia da Folha e a carteirinha do SESC... porque não o bilhete único e o ônibus para o cortejo? Depois lembrei: o Jardim Miriam-Vila Gomes não passa na Vila Alpina... pena!
Ainda pensei: um ônibus pode ser alugado... levaria o corpo e os poucos íntimos... o cachorro também... seria uma ocasião especial e perfeitamente justificável, ele iria limpo e brilhante... mas não, não seria realmente o 577T... pena!
Então, depois, talvez, para as cinzas? Esta é uma encomenda delicada, feita a um grande amigo-amor, e a lista é extensa: por favor, eu poderia ficar em alguma tinta de muro no Jardim Miriam; na Casa Modernista, embaixo da figueira, ao lado da piscina; perto de uma escultura no Lasar Segall; dividida em muitos punhados pela Paulista; no jardim da Faculdade de Medicina, de tantos encantos e desencantos; o coração na parada da Oscar Freire; também em montinhos pela USP; entre as cobras do Butantã; junto com a Elis e ... não esquecer, em todos os ônibus da linha Vila Gomes-Jardim Miriam. Aonde? ...perto do banco alto.
Ana Silvia Whitaker Dalmaso
Crônica sobre a Praça Oswaldo Cruz
Cadê o índio pescando debaixo do salgueiro-chorão? Cadê a Sears, cadê o cheiro de castanha de caju, o snack bar com salsichas virando em cima de uma grelha rolante, cadê as roupas arrumadas em araras na primeira loja de departamentos que conheci?
Eu deveria ter uns dez anos de idade. De vez em quando, subia a Rua Sampaio Viana até a Rua Cubatão, virava na Rafael de Barros passando pela sorveteria Alaska - dos sorvetes de creme nas noites de verão – e atravessava a Praça Oswaldo Cruz. Os motoristas sabiam dirigir, os pedestres sabiam andar pelas ruas e as pessoas eram felizes respeitando umas às outras. Minha mãe deixava, não tinha perigo. Os carros não iriam me esmagar, as pessoas aprendiam, na auto-escola, a tomar cuidado com as crianças, nenhum pivete iria me atacar com um canivete para roubar meus tênis. A gente não usava tênis.
A estátua do índio era o ponto de referência para qualquer encontro com as amigas. O banco de madeira e ferro, debaixo da sombra de uma árvore de verdade, era o meu lugar preferido. Hoje, tudo mudou de lugar: o índio foi parar do outro lado, entre uma guia e outra e sem nenhum destaque, custei para achá-lo. Tanto espremeram, retalharam, enfiaram grades e passarelas que eu preciso me preparar psicologicamente antes de atravessar a praça. Como se afunilar, encurralar e empurrar pessoas as fizesse mais disciplinadas. Tudo por uma cidade melhor? Não. Tudo para controlar a selvageria inerente ao ser humano que se manifesta, embora reprimida, na cidade super populada.
[Índio Pescador- estátua em bronze do escultor brasileiro Francisco Leopoldo e Silva*]
*Francisco Leopoldo e Silva (1879- 1948) Discípulo de Amadeo Zani, estudou em Roma com o grande escultor Arturo Dazzi. Ao contrário de Brecheret, (com quem estudou em Paris no ateliê de Arturo Dazzi), que adotara estilística moderna. Leopoldo e Silva, que inicialmente seguira o estilo e a técnica de Rodin - daí o vigor de suas esculturas, chegando ao Brasil quedou-se numa manifestação mais conservadora, embora com um acentuado lirismo. Assinava L. Silva.
Sandra Schamas
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